Em períodos de crise, Seguro de Crédito é uma saída interessante para empresas se protegerem contra a inadimplência

Períodos de crise econômica vêm acompanhados de uma série de incertezas, como as dificuldades das empresas em manter um fluxo de caixa saudável diante de possíveis calotes por parte dos seus clientes. Uma das soluções para isso é o Seguro de Crédito, cuja demanda tem crescido muito desde 2016. Esse é o tema da entrevista que a vice-presidente da Comissão de Seguros de Riscos de Crédito e Garantia da FenSeg, Cristina Salazar, deu para uma das matérias do caderno especial que o jornal Valor Econômico publicou no fim de março sobre o mercado de seguros.

Em um dos trechos da matéria, ela afirma: “A partir do momento em que a empresa aciona e recebe a indenização da seguradora, ela não precisa mais se preocupar com aquela dívida, pois as seguradoras possuem uma rede de cobrança para recuperar créditos e esses custos estão incluídos no prêmio.”

Abaixo, eu reproduzo o texto completo da entrevista. No entanto, há um tema que não foi abordado pelo jornal que eu acho relevante destacar: na minha opinião, há outros fatores que devem impulsionar ainda mais as vendas do Seguro de Crédito. Um deles é a adoção do Basileia III também pelas empresas. A Provisão de Devedores Duvidosos (PDD) mudou até de nome, passando a ser chamada de Perdas Esperadas com Clientes de Liquidação Duvidosa (PECLD).

É simples:

(i) antes: valor PDD = faturas não recebidas até 180 dias;

(ii) agora: valor PECLD = faturas não recebidas até 180 dias + risco de inadimplência do resto da carteira (%) x valor da carteira (R$).

Isso leva ao aumento do valor a ser provisionado. Claro que, nesse momento, só as grandes empresas adotarão esse padrão. Quem tem Seguro de Crédito praticamente não sofrerá esse impacto, pois esse novo “risco” é da seguradora. Aí, o cálculo é a probabilidade do cliente, hoje adimplente, deixar de pagar no futuro x (vezes) a probabilidade da seguradora quebrar concomitantemente. Ou seja, algo bem pequeno, praticamente inexpressivo.

Isso mostra que, ao mesmo tempo em que é cada vez mais necessário, o Seguro de Crédito torna-se também uma ferramenta cada vez mais sofisticada, exigindo conhecimento dos envolvidos – sejam as empresas que o contratam, sejam as seguradoras e corretoras que o oferecem.

Leia abaixo o texto completo publicado no Valor Econômico:

 

Na crise, risco de inadimplência ajuda a movimentar o mercado

 

Pode-se dizer que períodos de crise econômica ajudam a alavancar algumas modalidades de seguro, como o de crédito. E o motivo é simples. Os calotes e as incertezas de fluxo de caixa e pagamentos entre empresas e seus fornecedores levam a busca por este tipo de proteção. Foi o que aconteceu nos anos de 2015 e 2016. O mercado sentiu o tranco em 2015 e correu para o seguro em 2016, quando as vendas desta modalidade avançaram 18%, para cerca de R$ 270 milhões, segundo dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep).

O ritmo desacelerou em 2017 e avançou apenas 2,7%. Mas deve continuar a ascensão em 2018 porque a lembrança do passado ainda é recente e o mercado muitas vezes amadurece com os solavancos que toma. Como indeniza as empresas no caso de inadimplência de seus clientes, o seguro de crédito, que é tradicionalmente usado em transações internacionais, tem despertado mais interesse para negócios domésticos. Tanto que as empresas começam a ver outros ganhos implícitos no produto, com um alavancador do potencial de vendas na medida em que reduz seus riscos de não recebimento.

“A partir do momento em que a empresa aciona e recebe a indenização da seguradora, ela não precisa mais se preocupar com aquela dívida, pois as seguradoras possuem uma rede de cobrança para recuperar créditos e esses custos estão incluídos no prêmio”, diz Cristina Salazar, vice-presidente da Comissão de Riscos de Crédito Garantia da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg).

A Coface, uma das maiores seguradoras desta modalidade no mundo e pioneira no país, diz que, no Brasil, 65% das empresas que contratam seguro de crédito são multinacionais porque tem como política global a proteção de recebíveis. “O que mostra que há um potencial enorme para crescer aqui e que muitas empresas ainda não conhecem os benefícios deste seguro”, alerta Marcele Lemos, CEO da Coface no país. Ela explica que em períodos de crise as empresas tomaram um susto porque em 2015 o número de recuperação judicial no Brasil aumentou 55% e em 2016, em 45%. “As empresas foram pegas de surpresa. Algumas estavam muito alavancadas e não conseguiram tomar mais crédito para pagar suas faturas. Assim, foram buscar no seguro crédito uma forma de proteção”, explica. No ano passado, a Coface registrou crescimento de 9,3% no total de prêmios em carteira, para R$ 94 milhões. Este ano, a meta é de avançar entre 10% a 12%, puxada pela Copa Mundo. “Apesar de haver muita paralisação por conta da Copa, as vendas de eletroeletrônicos como televisores e celulares costumam aumentar e o setor faz parte do perfil de clientes do seguro de crédito”.

Animada com os primeiros sinais de retomada da economia, a Euler planeja lançar dois produtos com coberturas novas no Brasil. Um deles terá cobertura estendida por 30 dias, caso a seguradora resolva cancelar o seguro por detectar risco elevado de calote. “O segurado pode continuar a vender por mais 30 dias. Para que vende é importante ter previsão mínima, o que dá tempo para sair daquele cliente aos poucos. Isso é inovador no mercado”, afirma Luciano Mendonça, diretor comercial da Euler Hermes no Brasil.

O outro será um seguro híbrido que terá duas características dentro da mesma apólice. Uma é que parte do limite de crédito será cancelável e a outra parte não. Os percentuais que ficarão em cada parte dependerão da carteira negociada pela empresa, do setor que representa, de seu fluxo de caixa e da qualidade dos recebíveis. “Dá para fazer uma calibragem entre os diferentes riscos daquela empresa, o que torna a apólice mais barata. Também é um produto novo no mercado brasileiro e vamos lança-lo em abril” diz Mendonça. A Euler fechou 2017 praticamente sem crescimento, com R$ 64 milhões em prêmios nessa modalidade, e prevê avançar 15% em 2018.

Já a AIG lembra que outra vantagem do seguro de crédito é que as empresas que possuem esse tipo de apólice são melhor avaliadas pelo mercado, pois protegem seus ativos. “Quem tem recebíveis, tem ativos bons. Além de ter comprador oferecendo pagamento, tem seguro e consegue buscar fontes alternativas de financiamento. São operações chamadas de trade finance, que dão para negociar com o banco”, afirma Eduardo Cruci, gerente de linhas de crédito da AIG Brasil. “E isso não é tudo. Nosso produto é não cancelável e garante no prazo da apólice que o limite de crédito será vigente. Não mudamos as coberturas que damos no primeiro dia de limite de crédito”, diz Cruci. A AIG prevê avançar próximo a 10% este ano sobre os R$ 64 milhões em prêmios de 2017.

Posts Relacionados

1 Response

Deixe uma resposta

11 + 11 =

Solicite uma proposta

(exclusivo para empresas)

       * Campos obrigatórios
       ** Com o CNPJ, o seu atendimento será agilizado


     

    Quer saber mais sobre o mercado de seguros?

    Deixe o seu email com a gente.

      Novidades no blog:

      Por que o Seguro Garantia não cobre riscos cobertos por outros ramos ou modalidades de seguro?
      13 de abril de 2022
      Seguros para usinas fotovoltaicas exigem atenção às cláusulas referentes à cobertura de perda de aluguel
      22 de março de 2021
      Como funciona o Seguro de Perda de Lucro (lucros cessantes) para geração distribuída?
      24 de novembro de 2020
      Solicite uma Proposta