Cultura de contratação de seguros enriquece os países desenvolvidos e empobrece os em desenvolvimento

A cultura de contratação de seguros apresenta diferenças acentuadas entre os cidadãos de países desenvolvidos e os de países em desenvolvimento. Uma avaliação dos motivos que levam a essa realidade foi feita por Antonio Penteado Mendonça. Além de colunista do Sindseg (Sindicato das Empresas de Seguros, Resseguros e Capitalização) de São Paulo, o advogado é sócio de Penteado Mendonça Advocacia, professor da FIA-FEA/USP e do PEC da Fundação Getúlio Vargas e membro da Academia Paulista de Letras.

Intitulado “Seguro e renda”, o artigo escrito pelo profissional foi publicado recentemente no site do Sindseg-SP. Sem dúvida, seus argumentos provocam uma reflexão sobre a conexão entre a menor contratação de seguros e a renda das pessoas, bem como o seu impacto na geração de riquezas.

Leia abaixo a íntegra do artigo.

Seguro e renda

É verdade, os cidadãos dos países mais desenvolvidos contratam mais seguros do que os moradores dos países mais pobres. A consequência direta disto é que os países mais ricos ficam cada vez mais ricos, enquanto os países mais pobres ficam cada vez mais pobres.

A razão é simples: a contratação do seguro implica na transferência para a seguradora da obrigação de pagar os prejuízos causados pela ocorrência de eventos cobertos. Ou seja, o segurado não necessita utilizar recursos seus para repor seu patrimônio ou capacidade de atuação. Como a seguradora suporta estes custos, o segurado pode utilizar seus recursos em novos investimentos, que o fazem mais rico.

Já quem não tem seguro, no caso de sofrer uma perda, tem que utilizar suas reservas para minimizá-las, ou seja, ele desvia recursos que iriam gerar novas riquezas para reconstruir patrimônio que ele já tinha.

A questão que se coloca é por que os cidadãos dos países mais pobres não contratam seguros na mesma escala de seus vizinhos mais ricos. Uma resposta comum é a diferença de educação e, consequentemente, das noções de proteção e solidariedade que estão na base do seguro. Outra, bastante comum e relativamente verdadeira – especialmente no Brasil – é o completo desconhecimento do que seja seguro por parte importante da população. Mas só elas não explicam o quadro inteiro. Este é mais complexo e tem outras variáveis que precisam ser entendidas para formar um retrato verdadeiro de uma realidade dramática, que custa bilhões de reais todos os anos.body

Entre as principais variáveis que separam o mundo desenvolvido do mundo pobre está a diferença de riqueza. Basta lembrar que a renda média do brasileiro é inferior ao salário mínimo alemão para se ter claro que estamos falando de uma ordem de grandeza significativa e capaz de levar um alemão e um brasileiro a terem, em relação à sua proteção, comportamentos completamente diferentes, não porque o brasileiro não gosta de seguros, mas porque não tem dinheiro para contratar as apólices necessárias.

O salário médio do brasileiro está na casa dos dois mil reais por mês. Já o seguro de um automóvel barato custa, na média, ao redor de dois mil reais por ano. Vale dizer, parcelando em dez vezes, o seguro corresponderia a pouco menos de dez por cento da renda mensal do cidadão.

Se incluirmos um plano de saúde familiar, este dificilmente custaria menos de trezentos reais por mês. Um seguro de vida aumentaria esta conta em mais ou menos cinquenta reais mensais e um seguro residencial acrescentaria mais vinte ou trinta reais nestas despesas. Entre secos e molhados, estamos falando de um valor próximo de seiscentos reais, ou 30% da renda mensal, da qual devem ser retirados os recursos para alimentação, moradia e vestimenta de toda a família.

Será que, priorizando estas despesas, haveria sobra para pagar os seguros? Será que, antes dos seguros, a família não prefere reservar alguns recursos para lazer? Ou para algum curso que melhore suas chances no mercado de trabalho?

O que se vê é que há uma clara conexão entre a menor contratação de seguros e a renda das pessoas. Quando o cobertor é curto, a priorização dos gastos se torna fundamental para o planejamento financeiro da família. No total elencado não há qualquer reserva ou poupança para garantir o inesperado, entre eles, eventos capazes de causar danos ou custar caro, como acidentes de trânsito, roubo, incêndio, doenças, perda de emprego, etc.

A maioria das pessoas está longe de ser pródiga ou de jogar dinheiro pela janela. Ao contrário, as preocupações acima fazem parte da rotina de milhões de brasileiros, que gostariam de ter plano de saúde privado, mas não têm os recursos necessários para o pagamento do plano. Da mesma forma que, hoje, estão deixando seus carros comprados em cinquenta meses na garagem, porque não têm condições de arcar com os custos de manutenção.

Sob esta ótica, é lógico os mais pobres contratarem menos seguros do que os mais ricos, que, ainda por cima, pagam menos por suas apólices, porque, quanto maior o número de segurados, mais barato o seguro.

O artigo pode ser lido diretamente no site do Sindseg-SP no link http://www.sindsegsp.org.br/site/colunista-texto.aspx?id=1126.

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